Não, não se iluda: filho não segura relacionamento amoroso! Nem mesmo as amarras do “e viveram felizes PARA SEMPRE” o fazem.
É o amor real e maduro que mantém qualquer coisa unida! A compreensão das mutações do amor amadurecendo ao longo do tempo. Na liberdade do livre arbítrio, mas como imãs unidos.
A vida muda. A mulher muda. A maternidade transforma a mulher de novo e de novo e de novo. O homem muda. A terra gira, o tempo corre e tudo se modifica. A idade vem e não isenta ninguém…
Um filho é uma benção. A maior benção que alguém pode receber na vida. Porém, causa uma transformação muito mais rápida do que o que estávamos acostumados a vivenciar. Exaustão, cansaço, doação extrema ao novo ser… Se não houver o olhar profundo dentro dos olhos um do outro e o resgate daquilo que os fizeram estar ali, juntos, até então, é muito simples tudo ruir.
Um pouco de paciência onde há rajadas e trovões. Um pouco de respiração onde se corre ofegante contra o tempo. Um pouco de paz em meio à pressão do dia a dia. É preciso refletir sobre isso. Sentir isso, dialogar sobre isso.
Um dia desses, num Congresso que estive, um homem questionou a uma profissional, “Quando terei minha mulher de volta?”.
Nessa hora, minha mente quase não aguenta e me faz verbalizar: “Nunca mais. Sua mulher é outra mulher. É mãe, reaprendendo a ser mulher, não melhor, nem pior, mas mais vivida, mais sublime, mais especial. A mãe dos seus filhos”.
É sério gente: a maternidade muda nossas convicções. Você pode até querer ser a mesma. Mas algo mudou em você, o que não te caracteriza mais como a mesma. A sociedade exige que sejamos as mesmas, mas o que um dia foi importante, passa a não fazer mais sentido no pós maternidade. Como seremos as mesmas? Agora estamos a um passo de uma redescoberta de nós mesmas, e o que há de errado nisso?
Nada! “Prefiro ser essa metamorfose ambulante”, como já dizia o sábio Raul Seixas. Porém, quem combinou tudo isso com o back (o companheiro)? ????
E ele, o companheiro, também precisa de uma fase de adaptação. Ele não entende tudo tão claramente, nem fora educado para isso. Não podemos apenas exigir e pronto. Há um resgate. Em meio a tanto cansaço, tanta exaustão, tanta doação ao novo grande amor da vida deste casal, uma troca de olhares, um pairando bem nos olhos do outro, parando alguns segundos para resgatar a essência do que os trouxeram ali.
Se foi nada, “qualquer caminho serviu”, talvez a jornada termine por ali. E não há crime nenhum nisso. Agora se você olhar naqueles olhos a transformação do amor, é exatamente essa compreensão que fará com que a relação prossiga.
Por que, muitos casais não sabem, mas se separam justamente na fase de mudança, de amadurecimento do amor. Seja ela pós ou pré filhos. No pós filhos, essa mudança só fica muito mais evidente, por isso salta taxa de divórcios no primeiro ano de vida de uma criança.
Não apenas com a vinda das crianças, mas com o adeus da paixão (que não vigora pra sempre), iniciam-se as crises, mas é justamente aí que entra o amor, porque o relacionamento vai amadurecendo.
A nossa sociedade, por intermédio da mídia, diria principalmente as novelas, acredita que o amor é associado a algum tipo de prazer, e é justamente neste ponto que muitos casais decidem romper, com a desculpa de que não existe mais amor. No fundo, as pessoas querem viver de emoção, com frio na barriga. E isso, o amor maduro não confere pra sempre.
Na dúvida se é amor?
Não é um filho quem dirá! Ou fará ficar. Com calma, olhem-se bem no fundo dos olhos! Eles não mentem!
Fonte: Mãe Plugada
Publicação Joraci de Lima

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